O relevo montanhoso concentra-se sobretudo no norte e no centro de Portugal, enquanto a sul do Tejo predominam as superfícies aplanadas. As exceções são poucas, mas importantes. No centro do país desenvolve-se a Cordilheira Central, prolongamento ocidental do Sistema Central Ibérico, onde se destacam, entre outras, as serras da Estrela, do Açor, da Lousã e da Gardunha. A norte encontram-se diversos maciços e serras, como as do Gerês, Peneda e Marão, onde os afloramentos graníticos assumem grande expressão. Entre o Mondego e o Tejo destacam-se importantes relevos calcários, como os de Sicó, Aire e Candeeiros, caracterizados pela presença de formas de relevo cársico e de numerosas cavidades subterrâneas.
A sul do Tejo, destacam-se a Serra de São Mamede, no Alto Alentejo, e, no Algarve, as serras de Monchique e do Caldeirão. Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira predominam relevos de origem vulcânica. O ponto culminante de Portugal não fica no continente: é a Montanha do Pico, nos Açores. No continente, o ponto mais elevado é a Torre, na Serra da Estrela.
Nesta página, as serras aparecem ordenadas pela altitude do seu ponto culminante, e não pela área que ocupam ou pela altitude média.
| # | Nome | Altitude |
|---|---|---|
| 1 | Montanha do PicoAçores Estratovulcão da ilha do Pico, nos Açores, que atinge 2351 metros e é o ponto mais alto de Portugal. O cume termina numa pequena cratera de onde se ergue o Piquinho, ainda com fumarolas ativas. Nas suas encostas de lava, os currais de vinha delimitados por muros de pedra são Património Mundial da UNESCO desde 2004. | 2351 m |
| 2 | Serra da EstrelaGuarda · Coimbra · Castelo Branco A maior elevação de Portugal continental, atingindo 1993 metros na Torre, entre os distritos da Guarda, Coimbra e Castelo Branco. O relevo conserva vales e lagoas moldados pelo único glaciar significativo do país e é a maior área protegida nacional desde 1976. Dela vêm o queijo Serra da Estrela e o cão da mesma serra, ligados a uma longa tradição de pastoreio. | 1993 m |
| 3 | Pico RuivoMadeira Ponto mais alto da ilha da Madeira, com 1862 metros, e o terceiro de todo o território português. Só é acessível a pé, sendo o percurso mais famoso o que o liga ao Pico do Areeiro por veredas talhadas na rocha. Nos dias claros a vista abrange grande parte da ilha acima do mar de nuvens. | 1862 m |
| 4 | Serra do GerêsBraga · Vila Real Serra granítica do Norte que atinge 1546 metros e forma, com a Peneda, o único Parque Nacional português, criado em 1971. Abriga o lobo-ibérico, o corço e manadas de garranos em liberdade, entre carvalhais e cascatas. É atravessada por uma antiga via romana que ligava Braga a Astorga. | 1546 m |
| 5 | Serra do LaroucoVila Real Serra fronteiriça do distrito de Vila Real, junto a Montalegre, com 1536 metros, uma das maiores altitudes de Portugal continental. Divide as águas entre as bacias do Cávado e do Tâmega e continua pela Galiza adentro. No topo mantêm-se marcos e vestígios de cultos pré-romanos ao deus Larouco. | 1536 m |
| 6 | Serra de MontesinhoBragança Serra da Terra Fria transmontana, com 1486 metros, no extremo nordeste do distrito de Bragança. Dá nome ao Parque Natural criado em 1979, refúgio do lobo-ibérico e de mais de uma centena de aldeias de tradição comunitária. Numa delas, Rio de Onor, a fronteira com Espanha atravessa a própria povoação. | 1486 m |
| 7 | Serra do MarãoPorto · Vila Real Barreira montanhosa de 1416 metros entre o litoral e Trás-os-Montes, partilhada pelos distritos do Porto e de Vila Real. Trava a entrada da humidade atlântica e ajuda a criar o clima quente e seco do Douro vinhateiro que se estende a nascente. Ao seu isolamento se deve o dito popular "para além do Marão, mandam os que lá estão". | 1416 m |
| 8 | Serra do SoajoViana do Castelo Serra do distrito de Viana do Castelo, com 1416 metros na Pedrada, integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Nos seus planaltos pastam garranos em liberdade e mantém-se o uso comunitário dos baldios. Na aldeia do Soajo destaca-se o conjunto de espigueiros de granito sobre um afloramento rochoso. | 1416 m |
| 9 | Serra de MontemuroViseu · Porto Serra granítica de 1381 metros entre Viseu e o Porto, erguida sobre o vale do Douro. O planalto de altitude, batido pelo vento, é ocupado por matos, giestas e antigas courelas de centeio. Aí sobrevivem manadas de garranos em regime semisselvagem. | 1381 m |
| 10 | Serra AmarelaBraga · Viana do Castelo Serra granítica de 1359 metros entre Braga e Viana do Castelo, no interior do Parque Nacional da Peneda-Gerês. É uma das áreas mais isoladas do país, com vastos matagais e vestígios de povoamento antigo. Aos seus pés fica a albufeira que submergiu a aldeia comunitária de Vilarinho da Furna em 1972. | 1359 m |
| 11 | Serra do AçorCoimbra Serra xistosa do distrito de Coimbra, com 1342 metros, integrada no conjunto montanhoso da Cordilheira Central. Protege a Mata da Margaraça, uma raríssima floresta relíquia de carvalhos e castanheiros, classificada como reserva. Nas suas encostas escondem-se aldeias de xisto como o Piódão. | 1342 m |
| 12 | Serra do AlvãoVila Real Serra transmontana de 1330 metros, no distrito de Vila Real, protegida como Parque Natural desde 1983. O rio Olo despenha-se aqui nas Fisgas de Ermelo, uma das mais altas quedas de água do país. Nos planaltos mantêm-se aldeias de casas de granito e colmo, como Lamas de Olo. | 1330 m |
| 13 | Serra da NogueiraBragança Serra do distrito de Bragança, com 1320 metros, mesmo às portas da cidade. As suas encostas albergam o maior carvalhal contínuo de carvalho-negral da Península Ibérica. A mancha florestal está integrada em zona de proteção especial para aves de rapina. | 1320 m |
| 14 | Serra da PenedaViana do Castelo Serra do extremo noroeste, com 1314 metros, que ocupa a metade norte do Parque Nacional da Peneda-Gerês. As suas encostas de granito são marcadas pelas brandas e inverneiras, aldeias sazonais usadas pelos pastores conforme a estação. No fundo de um vale encaixado ergue-se o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, com o seu longo escadório. | 1314 m |
| 15 | Serra do BarrosoVila Real Serra do distrito de Vila Real, com 1279 metros, que dá nome à região montanhosa em torno de Montalegre e Boticas. O sistema agrícola tradicional do Barroso, com baldios, lameiros e rega comunitária, foi distinguido pela FAO como Património Agrícola Mundial. Nos seus vales encaixados foram construídas grandes albufeiras como a de Venda Nova. | 1279 m |
| 16 | Serra da CabreiraBraga Serra granítica do distrito de Braga, com 1262 metros no seu ponto culminante, entre Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto. É das zonas mais chuvosas do país, o que alimenta turfeiras, cascatas e numerosas linhas de água. As pastagens de altitude são ainda hoje usadas para o gado no verão. | 1262 m |
| 17 | Serra da GardunhaCastelo Branco Serra granítica do distrito de Castelo Branco, com 1227 metros, sobranceira à cidade do Fundão. O microclima das suas encostas viradas a norte tornou-a na principal região produtora de cereja do país. Grandes blocos de granito arredondado marcam a paisagem junto ao cume. | 1227 m |
| 18 | Serra de BigorneViseu Serra granítica do distrito de Viseu, com 1215 metros, entre Lamego e Castro Daire. Forma um planalto de urzes e giestas ligado ao conjunto de Montemuro, cortado por vales profundos. As aldeias das suas encostas conservam casas de granito e antigos moinhos de água. | 1215 m |
| 19 | Serra da LousãCoimbra Serra de xisto do distrito de Coimbra, com 1205 metros no Alto do Trevim, na extremidade ocidental da Cordilheira Central. Nas suas encostas escondem-se as aldeias do xisto, como o Talasnal e o Candal, abandonadas no século XX e depois recuperadas. É hoje território de veados, cujas bramas de outono atraem visitantes. | 1205 m |
| 20 | Serra de BornesBragança Alinhamento montanhoso de 1199 metros no distrito de Bragança, entre Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé. Ergue-se de forma abrupta sobre a Terra Quente transmontana, com encostas de xisto e quartzito. A exposição constante ao vento levou à instalação de um dos primeiros parques eólicos da região. | 1199 m |
| 21 | Serra da FalperraVila Real Serra de 1134 metros no distrito de Vila Real, em Vila Pouca de Aguiar, integrada no complexo montanhoso Alvão-Marão. A paisagem é agreste, com maciços graníticos, afloramentos de xisto e linhas de água de grande pureza, partilhando a biodiversidade da vizinha Serra do Alvão. No seu interior fica a albufeira da barragem da Falperra, também conhecida como Lagoa do Alvão, muito procurada para caminhadas. Não deve ser confundida com o monte homónimo do concelho de Braga, bem mais baixo, junto ao Bom Jesus e ao Sameiro. | 1134 m |
| 22 | Pico da VaraAçores Ponto mais alto da ilha de São Miguel, nos Açores, com 1103 metros de altitude. As suas encostas guardam a maior mancha de floresta laurissilva do arquipélago. É o último refúgio do priolo, ave que só existe nesta serra e que esteve à beira da extinção. | 1103 m |
| 23 | Serra dos ÁlveolosCastelo Branco Serra do distrito de Castelo Branco, com 1084 metros no Cabeço Rainha, junto a Oleiros e à Sertã. A crista quartzítica prolonga o alinhamento do Muradal e integra o Geopark Naturtejo. Do cume avista-se grande parte da bacia do Zêzere e as albufeiras que a preenchem. | 1084 m |
| 24 | Serra da MalcataGuarda · Castelo Branco Serra fronteiriça entre Guarda e Castelo Branco, com 1078 metros, coberta de matos densos e carvalhais. A sua Reserva Natural foi criada em 1981 para proteger o lince-ibérico, então em rápido declínio no país. Continua a ser um dos territórios mais selvagens e menos povoados da Beira Interior. | 1078 m |
| 25 | Serra do CaramuloAveiro · Viseu Serra da Beira Alta, entre Aveiro e Viseu, cujo ponto mais alto, o Caramulinho, atinge 1075 metros. O ar seco e puro levou à construção de dezenas de sanatórios na primeira metade do século XX, hoje quase todos abandonados. A vila do Caramulo conserva um museu que reúne arte e uma notável coleção de automóveis. | 1075 m |
| 26 | Serra de São MamedePortalegre Maior elevação do Alentejo, com 1027 metros, erguendo-se sobre a planície no distrito de Portalegre, junto à fronteira espanhola. O choque entre influências atlânticas e mediterrânicas dá-lhe uma diversidade rara de fauna e flora, protegida em Parque Natural desde 1989. Nas suas encostas encontram-se as vilas fortificadas de Marvão e Castelo de Vide. | 1027 m |
| 27 | Serra do MuradalCastelo Branco Crista quartzítica de 915 metros no distrito de Castelo Branco, entre Oleiros e Proença-a-Nova. Faz parte do Geopark Naturtejo e conserva vestígios fósseis de um antigo fundo marinho com centenas de milhões de anos. As encostas de xisto estão cobertas por matos, pinhais e olivais antigos. | 915 m |
| 28 | Serra de MonchiqueFaro Elevação de rochas vulcânicas no interior do Algarve, cujo cume, a Fóia, atinge 902 metros e é o ponto mais alto da região. A humidade atlântica sustenta uma vegetação luxuriante, com sobreiros, castanheiros e medronheiros. Nas suas encostas ficam as termas das Caldas de Monchique, procuradas desde a época romana. | 902 m |
| 29 | Serra de MarvãoPortalegre Prolongamento setentrional da Serra de São Mamede, no distrito de Portalegre, atingindo 867 metros. No cume da crista quartzítica ergue-se a vila muralhada de Marvão, ponto de vigia sobre a raia desde a época islâmica. Do castelo abrange-se toda a planície alentejana e a Estremadura espanhola. | 867 m |
| 30 | Serra de ArgaViana do Castelo Maciço granítico isolado do distrito de Viana do Castelo, com 825 metros, entre os vales do Minho e do Lima. As suas encostas de blocos e turfeiras foram exploradas durante décadas em busca de estanho e volfrâmio. No alto ergue-se o Mosteiro de São João de Arga, ponto de romaria centenária. | 825 m |
| 31 | Serra da BoalhosaViana do Castelo Serra do distrito de Viana do Castelo, com 699 metros, entre Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. O relevo granítico está coberto por matos baixos, carvalhos e povoamentos de pinheiro. Dos seus cumes descortina-se boa parte do Alto Minho, entre os vales do Coura e do Vez. | 699 m |
| 32 | Serra de AireSantarém · Leiria Serra calcária do Maciço Estremenho, com 678 metros, repartida pelos distritos de Santarém e Leiria. A rocha permeável engoliu os cursos de água e abriu um mundo subterrâneo de grutas, entre as quais as de Mira de Aire, as maiores do país. Numa pedreira das suas abas foram descobertas as mais longas pistas de pegadas de saurópodes conhecidas no mundo. | 678 m |
| 33 | Serra de OssaÉvora Principal elevação do Alentejo central, com 653 metros, no distrito de Évora, entre Estremoz, Redondo e Borba. Destaca-se na planície como uma longa crista coberta de eucaliptos, pinheiros e azinheiras. Nas suas encostas instalaram-se eremitas desde a Idade Média, dando origem ao Convento de São Paulo. | 653 m |
| 34 | Serra de SicóCoimbra Maciço calcário do distrito de Coimbra, com 618 metros, entre Condeixa, Penela e Pombal. A dissolução da rocha abriu algares, grutas e vales encaixados onde a água corre apenas no inverno. Na aldeia do Rabaçal, nas suas abas, produz-se um queijo de ovelha com denominação de origem protegida. | 618 m |
| 35 | Serra dos CandeeirosLeiria · Santarém Serra calcária de 615 metros entre Leiria e Santarém, prolongamento natural da Serra de Aire. A água infiltra-se na rocha e desaparece à superfície, deixando uma paisagem seca de lapiás, muros de pedra solta e moinhos de vento. Do seu subsolo saiu grande parte do calcário usado na construção monumental portuguesa. | 615 m |
| 36 | Serra do CaldeirãoFaro · Beja Serra de xisto que se estende por Faro e Beja, atingindo 589 metros no Pelados, e separa o Algarve do Alentejo. As encostas de vales apertados estão cobertas de medronheiros, esteva e sobreiros. Do medronho colhido nestas terras nasce a aguardente com o mesmo nome. | 589 m |
| 37 | Serra de SintraLisboa Cordilheira granítica junto ao Atlântico, no distrito de Lisboa, que chega aos 528 metros na Cruz Alta. A humidade constante criou um microclima onde prospera uma floresta densa, povoada de espécies trazidas de todo o mundo no século XIX. O conjunto de palácios, quintas e o Castelo dos Mouros valeu-lhe a classificação da UNESCO como Paisagem Cultural em 1995. | 528 m |
| 38 | Serra da ArrábidaSetúbal Maciço calcário do litoral entre Setúbal e Sesimbra, que atinge 501 metros no Formosinho e cai a pique sobre praias abrigadas. Guarda uma das manchas mais bem conservadas de matagal mediterrânico da Europa e está classificado como Parque Natural desde 1976. No seu flanco sul ergue-se o Convento da Arrábida, fundado no século XVI. | 501 m |
| 39 | Serra do CercalSetúbal · Beja Alinhamento de xisto e grauvaque com 372 metros, entre Setúbal e Beja, a poucos quilómetros da costa alentejana. Os ventos marítimos moldam os sobreiros e a vegetação rasteira das suas encostas. Do cume avista-se num só olhar a planície alentejana e o Atlântico. | 372 m |
| 40 | Serra do Espinhaço de CãoFaro Serra de xisto do sudoeste algarvio, com 368 metros, entre Monchique e a costa vicentina. O relevo ondulado e árido, batido pelo vento do mar, é atravessado pelas ribeiras que descem para Aljezur. O nome descreve a crista estreita e recortada que a percorre. | 368 m |
| 41 | Serra de GrândolaSetúbal Suave elevação do litoral alentejano, com 325 metros, no distrito de Setúbal. Está coberta por montado de sobro e azinho, sistema agroflorestal que sustenta a produção de cortiça da região. O seu nome ficou conhecido pela canção "Grândola, Vila Morena", senha da Revolução de 25 de Abril de 1974. | 325 m |