A monarquia portuguesa durou quase oito séculos, de D. Afonso Henriques a D. Manuel II, e atravessou quatro dinastias. A primeira, a de Borgonha, consolidou o reino e, ao longo da Reconquista, expandiu e estabilizou progressivamente o seu território. A de Avis nasceu de uma crise de sucessão e marcou o início da expansão marítima portuguesa, que se prolongaria pelos reinados de D. João II e D. Manuel I. A dinastia filipina colocou Portugal sob a mesma coroa dos restantes territórios da Monarquia Hispânica durante sessenta anos, mantendo, contudo, as instituições e leis próprias do reino. A de Bragança, iniciada com a Restauração de 1640, atravessou o terramoto de 1755, as invasões francesas e o período liberal, até à implantação da República, em 1910.
Dois dos reinados foram de rainhas que governaram por direito próprio: D. Maria I e D. Maria II. Houve também períodos de crise sucessória e de disputa pela coroa. Um deles foi o interregno de 1383–1385, que se seguiu à morte de D. Fernando I e conduziu à aclamação de D. João I nas Cortes de Coimbra, sendo a nova dinastia decisivamente consolidada pela vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota. Outro ocorreu durante as guerras liberais, quando D. Miguel I e a sua sobrinha D. Maria II foram apoiados por fações rivais e reivindicaram legitimidades opostas para a coroa portuguesa.
D. Afonso Henriques é tradicionalmente considerado rei desde 1139, data associada à Batalha de Ourique e à sua afirmação como soberano. Em 1143, na Conferência de Zamora, Afonso VII de Leão e Castela reconheceu-lhe o título de rei, num passo decisivo para a afirmação de Portugal como reino independente. O reconhecimento papal da realeza portuguesa viria mais tarde, em 1179, com a bula Manifestis Probatum, do papa Alexandre III.
Nesta página, as datas indicadas são as do reinado, e não as do nascimento ou da morte dos monarcas, e a lista segue a ordem cronológica do início de cada reinado. É por isso que os períodos associados aos reinados de D. Maria II e D. Miguel I se sobrepõem: entre 1828 e 1834, cada lado da guerra civil reconhecia um monarca diferente.
| # | Nome | Data |
|---|---|---|
| 1 | D. Afonso Henriques Primeiro rei de Portugal e fundador do reino, ficou conhecido como o Conquistador. Impôs-se à mãe em São Mamede, fez-se aclamar rei e tomou Santarém e Lisboa aos mouros, alargando o território até ao Tejo. | 1139–1185 |
| 2 | D. Sancho I Segundo rei de Portugal, o Povoador dedicou o reinado a encher de gente o território herdado. Fundou vilas, concedeu forais e tomou Silves aos almóadas, ainda que por pouco tempo. | 1185–1211 |
| 3 | D. Afonso II Conhecido como o Gordo, foi o primeiro rei a legislar para todo o reino, reunindo cortes em Coimbra em 1211. O esforço de afirmar a autoridade régia sobre a Igreja e a nobreza valeu-lhe a excomunhão. | 1211–1223 |
| 4 | D. Sancho II Conhecido como o Capelo, foi o único monarca português destituído por decisão papal. Prosseguiu a Reconquista no Alentejo e no Algarve, mas perdeu o reino para o irmão e morreu exilado em Toledo. | 1223–1248 |
| 5 | D. Afonso III O Bolonhês concluiu a conquista do Algarve e fixou as fronteiras do reino a sul. Convocou em Leiria as primeiras cortes com representantes dos concelhos e transferiu a capital para Lisboa. | 1248–1279 |
| 6 | D. Dinis Conhecido como o Lavrador e como o Rei Poeta, organizou a economia e a cultura do reino. Fundou a primeira universidade portuguesa, mandou plantar o pinhal de Leiria e assinou o Tratado de Alcanizes. | 1279–1325 |
| 7 | D. Afonso IV O Bravo combateu ao lado de Castela na vitória do Salado sobre os benemerins. O seu reinado ficou marcado pela morte de Inês de Castro, mandada executar em Coimbra por razões de Estado. | 1325–1357 |
| 8 | D. Pedro I Ficou conhecido como o Justiceiro e como o Cru: aplicou a lei com severidade e perseguiu sem tréguas os assassinos de Inês de Castro. Mandou construir para ambos os túmulos gémeos do Mosteiro de Alcobaça. | 1357–1367 |
| 9 | D. Fernando I Último rei da primeira dinastia, o Formoso envolveu o reino em três guerras contra Castela. O casamento com Leonor Teles e a falta de herdeiro varão abriram a crise de 1383. | 1367–1383 |
| 10 | D. João I Mestre de Avis aclamado rei nas cortes de Coimbra, o de Boa Memória venceu Castela em Aljubarrota e garantiu a independência. Tomou Ceuta em 1415 e deu início à expansão portuguesa. | 1385–1433 |
| 11 | D. Duarte O Eloquente foi rei culto e escritor, autor do Leal Conselheiro e do Livro da Ensinança de Bem Cavalgar. Reinou apenas cinco anos, ensombrados pelo desastre de Tânger e pelo cativeiro do irmão. | 1433–1438 |
| 12 | D. Afonso V Ganhou o cognome de Africano nas praças que conquistou em Marrocos. Reclamou o trono de Castela e foi derrotado em Toro, num reinado marcado também pela batalha de Alfarrobeira. | 1438–1481 |
| 13 | D. João II O Príncipe Perfeito quebrou o poder da alta nobreza e centralizou o governo com mão firme. Impulsionou a exploração da costa africana e negociou com Castela o Tratado de Tordesilhas. | 1481–1495 |
| 14 | D. Manuel I Conhecido como o Venturoso, reinou no auge da expansão: a chegada à Índia, o desembarque no Brasil e a construção de um império comercial. Deu nome ao estilo manuelino. | 1495–1521 |
| 15 | D. João III Conhecido como o Colonizador, deslocou o esforço do império para o Brasil, dividido em capitanias, e para o Oriente. Introduziu a Inquisição em Portugal e apoiou a recém-fundada Companhia de Jesus. | 1521–1557 |
| 16 | D. Sebastião O Desejado sonhou com uma cruzada em Marrocos e desapareceu em Alcácer-Quibir. A sua morte sem herdeiros abriu caminho à união com Espanha, e o seu regresso tornou-se crença popular. | 1557–1578 |
| 17 | D. Henrique O Cardeal-Rei era inquisidor-mor e aceitou a coroa já com sessenta e seis anos, após o desaparecimento do sobrinho-neto. Morreu dois anos depois sem resolver a sucessão. | 1578–1580 |
| 18 | D. Filipe I Primeiro rei da dinastia filipina, reuniu as coroas de Portugal e Espanha. Nas cortes de Tomar jurou respeitar as leis, a moeda e a língua do reino, mantendo-o autónomo. | 1581–1598 |
| 19 | D. Filipe II Governou Portugal quase sempre à distância, através de validos e do Conselho de Portugal. No seu reinado começaram as perdas de praças asiáticas para holandeses e ingleses. | 1598–1621 |
| 20 | D. Filipe III A política centralizadora do Conde-Duque de Olivares e o agravamento dos impostos alimentaram o descontentamento. Foi deposto pela revolta de 1 de dezembro de 1640. | 1621–1640 |
| 21 | D. João IV Duque de Bragança aclamado rei pela revolta de 1640, o Restaurador iniciou a última dinastia portuguesa. Sustentou a Guerra da Restauração e foi um notável compositor e colecionador de música. | 1640–1656 |
| 22 | D. Afonso VI Chamaram-lhe o Vitorioso, embora nunca tenha combatido: no seu reinado ganharam-se o Ameixial e Montes Claros, que garantiram a independência. Doente e afastado do governo, foi deposto pelo irmão e morreu recluso em Sintra. | 1656–1683 |
| 23 | D. Pedro II O Pacífico foi regente antes de ser rei e assinou a paz que Espanha reconheceu em 1668. O Tratado de Methuen e o ouro do Brasil transformaram a economia do reino no final do seu reinado. | 1683–1706 |
| 24 | D. João V Conhecido como o Magnânimo, financiou com o ouro e os diamantes do Brasil uma corte faustosa e uma vaga de construções. Mandou erguer o Convento de Mafra, o Aqueduto das Águas Livres e a Biblioteca Joanina. | 1706–1750 |
| 25 | D. José I O Reformador reinou durante o terramoto de 1755 e entregou o governo ao futuro Marquês de Pombal. A reconstrução de Lisboa e as reformas pombalinas definiram o seu reinado. | 1750–1777 |
| 26 | D. Maria I Primeira rainha a reinar por direito próprio em Portugal, conhecida como a Piedosa e, no Brasil, como a Louca. Afastou Pombal do poder, mandou erguer a Basílica da Estrela e, doente, acompanhou a corte na fuga para o Brasil. | 1777–1816 |
| 27 | D. João VI O Clemente governou o império a partir do Rio de Janeiro, para onde a corte fugiu das invasões francesas. Regressou em 1821, jurou a Constituição e assistiu à independência do Brasil. | 1816–1826 |
| 28 | D. Maria II Proclamada rainha ainda criança, a Educadora só reinou de facto após a vitória liberal de 1834. O seu reinado ficou associado ao alargamento da instrução pública e à estabilização do regime. | 1826–1853 |
| 29 | D. Pedro IV Imperador do Brasil e rei de Portugal por poucos meses, o Rei Soldado outorgou a Carta Constitucional de 1826. Abdicou na filha e comandou depois as forças liberais na guerra civil. | 1826–1826 |
| 30 | D. Miguel I O Absoluto foi chamado a jurar fidelidade à sobrinha e proclamou-se rei, arrastando o país para uma guerra civil. Derrotado em 1834, partiu para um exílio de que nunca regressou. | 1828–1834 |
| 31 | D. Pedro V O Esperançoso foi rei culto e viajado, e ganhou grande estima popular pela dedicação ao serviço público. Morreu aos vinte e quatro anos, vítima de febre tifoide, num reinado de apenas oito anos. | 1853–1861 |
| 32 | D. Luís I O Popular foi homem de letras e do mar: traduziu Shakespeare e apoiou os estudos oceanográficos. O seu reinado coincidiu com o rotativismo partidário e com o fim da escravatura no império. | 1861–1889 |
| 33 | D. Carlos I Pintor e oceanógrafo, o Diplomata enfrentou o Ultimato inglês de 1890 e a crise financeira que se lhe seguiu. Foi assassinado no Terreiro do Paço, com o príncipe herdeiro, em 1908. | 1889–1908 |
| 34 | D. Manuel II Último rei de Portugal, o Desventurado subiu ao trono aos dezoito anos após o regicídio. Reinou dois anos, partiu para o exílio em Inglaterra e reuniu ali uma notável biblioteca. | 1908–1910 |